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Dia Do Engenheiro Florestal: Guia inédito de identificação permite catalogar árvores nativas de Mato Grosso

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  • 10 de julho de 2026
  • Imprensa Cipem
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Coordenado pela Prof. Dra. Gracialda Ferreira (UFRA) e Prof. Dra. Célia Soares (UNEMAT), em parceria com o Cipem, projeto já reconheceu 106 espécies em quatro regiões; trabalho ainda é uma fração do que falta mapear no estado

 

Antes de qualquer árvore ser cortada dentro de um Plano de Manejo Florestal (PMF), o profissional precisa ter certeza de qual espécie está diante dela. Esse é o ponto de partida de uma pesquisa que, desde 2024, vem percorrendo florestas em Mato Grosso para construir um guia inédito de identificação botânica das espécies madeireiras mais comercializadas no Estado. O trabalho é protagonizado por engenheiras florestais, categoria profissional homenageada em 12 de julho, Dia do Engenheiro Florestal. A equipe reúne mais de 14 pessoas, entre coordenadoras, pesquisadores e estagiários das universidades envolvidas.

 

O projeto “Espécies Arbóreas Mais Comercializadas no Mato Grosso” é realizado pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), com apoio financeiro da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (SEDEC) idealizado pelo Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem). A coordenação é assinada por Gracialda Ferreira (UFRA) e Célia Soares (UNEMAT).

 

O objetivo é garantir segurança técnica para quem está na floresta reconhecendo as espécies, para as agências de fiscalização e licenciamento, e também para o setor produtivo, que passa a comercializar com mais tranquilidade a partir do momento em que trabalha com espécies cuja identificação já está tecnicamente validada.

 

Para Gracialda Ferreira, o problema que a pesquisa busca resolver não é novo. “A floresta amazônica tem uma diversidade muito grande de espécies. Reconhecê-las é o princípio da produção florestal — e isso tem sido um grande gargalo para o manejo sustentável”, afirma a pesquisadora, que atua desde 1995 à frente de um grupo de pesquisa dedicado a produzir informações sobre morfologia e anatomia da madeira.

 

Foi em 2023 que essa trajetória de pesquisa ganhou uma frente específica em Mato Grosso. “Fui convidada pela minha universidade, a pedido do Cipem, para conduzir esse projeto aqui no Estado. E, a partir de janeiro de 2024, iniciamos um trabalho de coletas botânicas ao longo de todo o território”, conta Gracialda.

 

Frutos da pesquisa – Desde então, o projeto realizou cinco campanhas de campo. As três primeiras, em 2024, percorreram oito municípios: Sinop, Santa Carmem, Nova Ubiratã, Alta Floresta, Cotriguaçu, Nova Monte Verde, Juara e Apiacás, com coletas em nove fazendas. Em 2025, em Aripuanã, no Centro-Oeste do Estado, e neste ano, uma quinta campanha está em andamento nos municípios de Rondolândia, Colniza e Aripuanã.

 

O resultado, até maio de 2026, é expressivo: 433 árvores amostradas em quatro regiões do Estado. O material coletado está associado a 84 nomes vulgares e 93 nomes científicos. No total, 106 espécies já foram reconhecidas e, destas pelo menos cinco não tinham a sua ocorrência registrada para o Estado. Cada amostra passa por um processo minucioso, da herborização no Herbário da Amazônia Meridional (HERBAM), em Alta Floresta, à identificação botânica e caracterização da anatomia da madeira no Laboratório de Taxonomia de Árvores da UFRA, em Belém (PA). Em alguns casos, os laudos técnicos produzidos pela equipe têm validado o registro de espécies que ainda não constavam na base nacional de referência, o Reflora.

 

Das 106 espécies reconhecidas, 50 foram selecionadas como as mais comercializadas no mercado madeireiro mato-grossense e vão compor o guia final. Até maio de 2026, 34 já tinham material morfológico e anatômico completo. A primeira etapa do projeto deve ser concluída em 31 de julho, com a expectativa de que o número chegue a 40 espécies.

 

Sem continuidade, o trabalho para pela metade

 

Apesar dos resultados, Mato Grosso ainda tem um universo amplo de espécies madeireiras que não foi mapeado nem registrado formalmente em herbários de referência nacionais. “O trabalho construído até aqui representa um investimento técnico que começa a dar retorno ao setor de base florestal, mas que só se consolida com a conclusão das etapas seguintes. O projeto já demonstrou capacidade de qualificar o manejo florestal em Mato Grosso, e todos ganham com isso”, Valdinei Bento dos Santos, diretor executivo do Cipem.

 

A parceria com a SEDEC segue sendo peça-chave nessa trajetória, é o que viabiliza as campanhas de campo, a estrutura laboratorial e a equipe responsável por transformar coleta botânica em ferramenta prática para o setor produtivo.

 

“O setor de base florestal de Mato Grosso vem se consolidando como um dos pilares da nossa economia, combinando geração de emprego, renda e preservação ambiental por meio do manejo florestal sustentável. Investir em pesquisas como essa significa oferecer mais segurança técnica ao setor produtivo, fortalecimento a gestão dos recursos florestais e ampliação da base de conhecimento necessária para a formulação de políticas públicas cada vez mais eficientes. Essa parceria entre universidades, setor produtivo e Governo do Estado demonstra que o desenvolvimento sustentável se constrói com ciência, inovação e cooperação”, Mayran Beckman, secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso.

 

Gracialda Ferreira reforça o valor da parceria com o setor produtivo para a continuidade do trabalho. “É o setor entendendo que investir em ciência, em identificação botânica, é investir na segurança do próprio manejo florestal, que resulta em geração de renda, segurança social e crescimento econômico”.

 

Pesquisa e avanço econômico andam juntos. Neste 12 de julho, Dia do Engenheiro Florestal, o Cipem celebra profissionais que atuam entre a ciência e a produção, equilibrando conservação e economia.

 

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