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Verificando informações e elucidando os fatos a respeito da Amazônia Mato-grossense

Publicado em 17 de Junho de 2021
O jornal Estadão publicou no último domingo (13), uma notícia intitulada “Fraudes esquentam madeira brasileira vendida ilegalmente para o exterior”. E para garantir o correto entendimento das informações disseminadas, tendo em vista que estas generalizações e “meias verdades” podem impactar negativamente as empresas mato-grossenses idôneas que trabalham com exportação, o Cipem vem por meio desta nota esclarecer alguns pontos.

No texto foi dito que membros da Polícia Federal (PF) estimam que cerca de 90% de toda a madeira retirada do bioma Amazônia seja ilegal. Equivocadamente, afirma-se também que esse percentual é quase o mesmo de uma pesquisa do Instituto Centro de Vida (ICV) que apontou falta de transparência em 94% do desmatamento na Amazônia. No entanto, o que não foi levado em consideração é que este percentual do estudo do ICV não trata exclusivamente do Bioma Amazônico, mas sim dos biomas Amazônia e Cerrado.

Além disso, o estudo evidencia a falta de qualidade dos dados divulgados de autorizações de desmatamento disponibilizadas por alguns Estados e pelo Governo Federal. Mas não há comprovação de que a vegetação foi extraída sem autorização. A ilegalidade comprovadamente detectada no estudo reside na indisponibilidade de acesso a informações ambientais.

Contudo, pela forma com que as notícias são veiculadas, no lugar de informar, acabam somente por alarmar a população e reforçar um estigma a respeito da madeira nativa do Brasil como um todo. A matéria alega que “Madeireiros pagam propina para servidores públicos incluírem os dados da madeira no sistema nacional.” Cabe a quem alega mostrar que 90% da madeira exportada foi objeto de lançamento de créditos fictícios no sistema de controle de fluxo de madeira.

É importante frisar que no Estado de Mato Grosso o desmatamento no Cerrado e da Amazônia reduziram, respectivamente, em 85% e 87% no período compreendido entre 2004 a 2018. Em 2021, até o mês de abril, a redução nos alertas de desmatamento acumula redução de 29%.

Enquanto de um lado Mato Grosso apresenta uma redução no desmatamento, isoladamente o Bioma Amazônia ainda apresentou alta de 43% no corte raso da vegetação em abril de 2021. De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA/MT), se os dados de Mato Grosso não estivessem incluídos nessa média, o aumento teria sido de 77%. Ou seja, o estado está contribuindo significativamente para a redução do desmatamento da Amazônia, puxando a média para baixo. Vale relembrar que a Amazônia está presente nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

A estratégia de Governo Produzir, Conservar e Incluir (PCI), que prevê o aumento de áreas sob Manejo Florestal Sustentável (MFS) para 6 milhões de hectares até 2030 contribui para estes números. O MFS conserva as florestas e sua biodiversidade, produzindo madeira legal.

Cumpre informar também que, no dia 8 de junho, o sistema de monitoramento por satélite utilizado em Mato Grosso, para prevenir e combater o desmatamento ilegal e os incêndios florestais foi apresentado a embaixadores dos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e União Europeia, tendo sido avaliado como “impressionante” pelas autoridades, fortalecendo a política pública ambiental e as estratégias do Estado no combate a crimes ambientais.

Todos estes dados estão publicados nos sites do Governo do Estado e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, e tem como fonte o Sistema De Detecção do Desmatamento em Tempo Real (DETER) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).