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411/2009: Legislação alterada garante origem sustentável da madeira nativa e perenidade das florestas

Publicado em 23 de Abril de 2020
Terceira alteração da Resolução Conama nº 411 traz integração total do Sinaflor com sistemas eletrônicos estaduais, garantia de rastreabilidade e padronização de nomenclaturas de subprodutos da madeira

Da assessoria

A nova versão da Resolução Conama nº 411, de 6 de maio de 2009, alterada pela XXX/2020, traz em seu contexto a solução de questões há anos debatidas pelo setor de base florestal brasileiro. Dentre as mudanças, sistemas de controle estuais integrados com o nacional, o Sinaflor (Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais) e consequente garantia de rastreabilidade. Além disso, a padronização da nomenclatura das transformações de madeira, alinhada aos procedimentos realizados nas indústrias.

Em discussão desde agosto de 2018, a nova versão tem como principais defensores o Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeiras do Estado de Mato Grosso (CIPEM) e os sindicatos empresariais que representa, bem como o Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal (FNBF). “Apoiamos todas as iniciativas que tragam melhorias ao desenvolvimento das atividades do setor de base florestal, sempre em comum acordo com as legislações vigentes, trazendo transparência, segurança e solidez para esta atividade que conserva os recursos naturais e ecossistemas conciliando com a geração de divisas, emprego e renda”, disse o presidente do CIPEM, Rafael Mason.

A resolução original dispõe sobre procedimentos para inspeção de indústrias consumidoras ou transformadoras de produtos florestais madeireiros (brutos e processados de origem nativa), bem como respectivos padrões de nomenclatura e coeficientes de rendimento volumétricos, inclusive carvão vegetal e resíduos de serraria. Em suma, tem o intuito de orientar agentes fiscalizadores e setor produtivo sobre de que forma as inspeções devem ocorrer e quais objetos estão sujeitos à fiscalização, bem como a padronização necessária para facilitar e trazer maior eficiência para a inspeção técnica.

Dentre as alterações feitas no texto da resolução está a integração total do Sinaflor com os sistemas eletrônicos estaduais, no caso de Mato Grosso, o Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora). A inclusão deste item garante a rastreabilidade, processo que identificará os produtos florestais madeireiros brutos e processados desde sua origem até seu destino final. “O Brasil terá alinhamento e integração total entre os estados com vocação florestal, através do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), garantindo origem legal da madeira, por meio do sistema de Cadeia de Custódia (rastreabilidade)”, explica Mason.

A Cadeia de Custódia é a documentação que registra de forma cronológica o caminho percorrido pela madeira, desde a floresta até seu destino final. Assim, é possível assegurar que ao fiscalizar a madeira, seja em tora, serrada, beneficiada ou resíduo, o agente ou interessado possa fazer o caminho inverso até a floresta e se assegurar de que aquele produto ou subproduto foi colhido de maneira sustentável, garantindo a perpetuação das florestas em pé.

O segundo ponto modificado foi a padronização da nomenclatura das transformações de madeira, alinhada aos procedimentos realizados nas indústrias, cuja sequência é realizada de acordo com esquema abaixo:



Para refinar o controle e fiscalização da forma apresentada no esquema acima, foram realizados estudos científicos pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), onde foram executados ensaios com inúmeras espécies e suas transformações de madeira, em diferentes indústrias de processamento do Estado, concluindo que quanto mais a madeira é desdobrada em subprodutos, maior é o seu rendimento e menor sua perda. Para o presidente, “estes resultados subsidiaram as discussões e demonstraram a necessidade imediata de atualização e adequação da Resolução Conama nº 411/2009”.

Conforme amplamente debatido e avaliado nas reuniões de Câmara Técnica específica do Conama, com a participação de todos os atores envolvidos e/ou afetados como órgãos de comando e controle, sociedade civil, ONGs, técnicos, juristas e associações representativas do setor de base florestal, estas alterações trarão retornos positivos tanto para a fiscalização, quanto para o setor produtivo.

“Os mecanismos de controle estão se modernizando com o advento de novas tecnologias e melhorando os procedimentos. Assim, contribuindo para uma maior gestão dos empreendimentos e otimização da eficiência da fiscalização, permitindo a minimização de erros, de ambos os lados, além de garantir maior segurança jurídica aos envolvidos”, conclui o presidente do CIPEM.

HISTÓRICO

A Resolução 411/2009 já passou por duas alterações desde a sua publicação, sendo a primeira pela Resolução Conama nº 474/2016, que por sua vez foi alterada pela Resolução Conama nº 484/2018. Estas alterações, assim como ocorrem com inúmeros dispositivos legais no país, se deram pela necessidade de adequações propostas pelos órgãos ambientais em consenso com o setor produtivo.

Essa discussão a respeito de uma nova alteração da Resolução CONAMA nº 411/2009 teve início oficial em agosto de 2018, sendo apresentada e admitida por unanimidade, na 12ª Reunião do CIPAM (Comitê de Integração de Políticas Ambientais).

Em maio de 2019, durante a 3ª Reunião da Câmara Técnica de Florestas e Demais Formações Vegetacionais (CTFlor), foi feita a apresentação da matéria por representantes do Setor Florestal, com a participação de representantes do Ibama e do Serviço Florestal Brasileiro (SFB). Nesta reunião, após amplo debate, os membros da CTFlor deliberaram pela necessidade dos proponentes e dos representantes do Ibama e do SFB se reunirem e adequarem os termos da proposta, para posterior apresentação na reunião da Câmara Técnica integrante do CONAMA.

Em fevereiro de 2020 ocorreu a 1ª Reunião da Câmara Técnica de Biodiversidade, Áreas Protegidas, Florestas e Educação Ambiental (CTBio), onde a matéria foi novamente apresentada e analisada, e após pontuais observações em relação à proposta, a matéria foi aprovada por unanimidade, sendo submetida com as readequações posteriormente a próxima Reunião Ordinária do Conama (plenária).

No dia 22 de julho aconteceu a 134ª Reunião Ordinária do CONAMA, onde a matéria, acompanhada dos pareceres das Câmaras Técnicas especializadas do Conselho, juntamente com o parecer da CONJUR/MMA atestando a ausência de óbices jurídicos à minuta de Resolução Conama para alteração, foi aprovada e concluída para publicação no prazo de até 180 dias a contar da aprovação.